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Rota 66

Rota 66

Por favor, não deixem morrer o «Pestarola»!

No âmbito do Encontro de Culturas Ribeirinhas, que decorreu no concelho da Moita, visitei o Estaleiro do Mestre Jaime, ali, em Sarilhos Pequenos.

A «Muleta» lá estava, e, pelos vistos continua a aguardar que se concretizem as necessárias vistorias. Um barco frondoso que, no dia que começar a navegar nas águas do Tejo, vai ser uma referência ao nível das embarcações tradicionais.

A «Muleta» para além de ser um ícone do brazão do concelho do Barreiro, é um barco ligado às memórias da comunidade piscatória, segundo dizem, oriunda do Algarve, que em tempos remotos veio viver para esta margem do Tejo e dedicava-se à pesca na barra do Tejo, sendo a «Muleta» o barco que era a marca identitária desta comunidade.

A construção da «Muleta» foi uma aventura e uma decisão de amor ao Barreiro e ás suas memórias. Um dia muitos vão sentir o prazer de navegar no Tejo e, até, atracar em Lisboa, porque, finalmente, isso é possível graças ao empenho e dedicação da comunidade náutica da Moita, da Marinha do Tejo e da Câmara Municipal da Moita.
A Câmara Municipal do Barreiro, entretanto já assinou o protocolo, sobre esta matéria com a APL.
E, pelo que tem sido dito, também está em fase de conclusão o acordo sobre o cais de acostagem da «Muleta», aqui no Barreiro, através do diálogo que tem sido mantido pelo actual executivo municipal com as entidades.

Mas, na verdade, o que motivou esta nota, foi ter reparado que no Estaleiro do Mestre Jaime, ali, está,o varino «Pestarola», abandonado, quase como que sobre ele tenha existido decisão de o condenar á morte. Tudo na vida tem um tempo. E tudo que nasce morre.
Mas, uma das grandes decisões politicas e culturais do Poder Local, nas zonas ribeirinhas do Tejo, é dar um contributo para valorizar as tradições e as embarcações tradicionais – o bote, o catraio, o varino. O Barreiro devia ter uma linha de pensamento direccionada para esta vertente, que, de facto, está patente na construção da «Muleta», mas devia estar também na recuperação do «Pestarola».

O orçamento não deve ser uma fortuna tão grande, certamente, são tostões, num orçamento de 55 milhões.

Nos tempos de hoje, que tanto se fala em ambiente e valores identitários, é triste ver o nosso «Pestarola» ali enterrado no cemitério.
Será que na Assembleia Municipal do Barreiro, não há força politica para exigir a recuperação do «Pestarola»?

Quando olhei o «Pestarola» naquele estado de abandono, que, certamente, agora, para ser recuperado será uma intervenção global, fiquei triste.

Viajei no Tejo no varino «Pestarola». Senti o prazer de escutar as ondas a bater no casco. Deliciei-me com as velas a a rasgar o vento. Senti o Barreiro e as memórias da sua comunidade piscatória.

Poderão dizer – nem sei – que o varino aquele estilo não era uma embarcação tradicional do Barreiro. Não sei. Mas sei, isso sei, que parta mim, e para algumas gerações e até mesmo para muitas crianças e jovens do fim do século XX e principio do século XXI, o «Pestarola», faz parte das vivências da comunidade barreirense e sua ligação ao rio Tejo.

Por favor, não deixem morrer o «Pestarola»!
O «Pestarola» já está inscrito nas memórias e na cultura ribeirinha do Barreiro.

S.P.

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É pelo pensamento feito acção, feito arte, feito teatro...que a cidade muda.

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Num tempo de «desconstrução da cidadania», ainda há quem goste de olhar a vida, de frente, assim...olhos nos olhos.

Concerto na Igreja de Nª Srª do Rosário

O Padre Luis Martins, na abertura do Concerto de Canto e Órgão, no dia 11 de Outubro, sublinhou que a realização deste evento era um exemplo como a Igreja é também um espaço de cultura e um espaço aberto à comunidade.
Um espaço que foi pequeno para receber as, talvez, mais de 300 pessoas que marcaram presença naquela noite, vivida num espaço vivo de religiosidade e de de acústica que faz sentir os ecos da sonoridade.
Gostei. E gostei de ver, por ali, o António João Sardinha, a passear entre as pessoas, a trazer cadeiras da sacristia, com um sorriso que nascia de dentro dele, por estar, na verdde, a viver mais um momento, dos vários que tem vivido, nas últimas décadas, desde que foi recupearado o órgão, após dezenas de anos de silêncio.
É este, de facto, o Barreiro real, aquele que pulsa nas vivências de comunidade, o Barreiro que sorri e se respeita nas diferenças.
Gostei de ver a Anabela Carreira a fotografar.Olhei e ...sorri!
O António João Sardinha, sei, também sentiu um sorriso no seu coração.


Ciclo de Palestras da AMPM - Porque existe amanhã!

Na Escola Superior de Tecnologia do Barreiro decorreu o 1º Ciclo de Palestras da Associação de Mulheres com Patologia Mamária. Fui convidado para moderar as palestras, tendo, procurado cumprir essa missão, no período da manhã, durante a tarde foi da responsabilidde de Ana Carrilho, jornalista da Rádio Renascença.
Foi uma manhã de aprendizagens. De descoberta de saberes, de partilha de experiêncas – do Yoga, à importância da actividade fisica regular, passando pela Dieta Mediterrânica ou pela microbiota intestinal, findando num encontro com a “ferida emocional”.
Cada tema, só por si, dava para uma manhã de animada conversa. Foi bom, permitiu recolha de informação e organizar pensamentos.
É esta a dinâmica social que marca, hoje, como sempre marcou a vida barreirense. Gente que gosta de aprendes, desocbrir, debater idieas de forma aberta.
Parabéns à AMPM por esta iniciativa...de facto quando vivemos momentos como estes, senhtimos que ficamos mais humanos, que nos aproximamos uns dos outros. É isto fazer e viver cidadania.
Nestes eventos, sentimos mesmo que...existe amanhã!

8ª Festa de Teatro da Cidade do Barreiro

O Teatro Projéctor está a promover a 8ª Festa do Teatro da Cidade do Barreiro. Quatro noites para viver por dentro desse mundo que faz sonhar, sentir a vida no lado de lá, no palco, onde as personagens recriam os tempos que vivemos.
O Projéctor é um grupo de teatro que merece o nosso forte aplauso. Um grupo que desde 1997 tem sido uma escola de actores, que mantém públicos, que tem proporcionado momentos que estão inscritos na memória, de beleza estética, de energia conceptual, de difusão de valores. O teatro como forma de intervençãoi e acção civica.
Um grupos que podia fazer um trabalho mais metodológico, se não vivesse de forma constante uma existência nómada. Há anos que sonha ser sedentário.
Mas, apesar de tudo, não desiste e resiste. Tem a resiliência escrita na consciência da importãncia do fazer teatro, do sonhar teatro, do amar teatro.
O Projéctor é um exemplo de resiliência que rima com consciência.
O dia que certos senhores – sejam eles quais forem -perceberem que quando resiliência rima com consciência, esta simbiose, dá uma energia adicional no fazer cidade e cidadania, vão entender essa verdade, tão real, pura e dura, que as ideias em movimento não se param com o vento, antes pelo contrário, estão vivas e são sementes vivas no tempo que dão força ao pensamento. É pelo pensamento feito acção, feito arte, feito teatro...que a cidade muda.
Parabéns ao Projéctor pelo amor ao teatro e ao Barreiro!

Por aqui me fico, estes registos, são meras notas, que, afinal, num tempo de «desconstrução da cidadania», ainda há quem goste de olhar a vida, de frente, assim...olhos nos olhos.

António Sousa Pereira