O actual executivo da Câmara Municipal do Barreiro está em funções desde Outubro de 2017. Nas tradicionais regras de funcionamento do órgão, nos diferentes executivos desde o 25 de Abril, logo nas primeiras reuniões, algumas coisas foram alteradas, no imediato e, para tal, nem foi necessário aprovar regulamentos, ou regras. Por exemplo, suspendeu-se a realização de reuniões de Câmara descentralizadas pelas freguesias, uma prática habitual, e, decidiu-se que as mesmas seriam todas nos Paços do Concelho, ficando, no entanto, em aberto, a possibilidade de este assunto ser analisado e, sobre o mesmo, tomar outras opções. Até hoje. Assim ficou, sem regulamento, nem regras, reuniões de Câmara em exclusivo nos Paços do Concelho. Agora, devido ao COVID, são fechadas ao público, e, estão a decorrer, estilo «sala de aula», no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro. Outra decisão, foi que todas as reuniões de Câmara seriam públicas e transmitidas via internet. Assim tem sido.
Mas, esta notas, são a propósito dos 23 minutos que abriram a última reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro. De súbito, nesta fase, que se já se caminha para o final do mandato, iniciou-se uma «conversa» sobre o definir tempos minimos de intervenção, e, regras de funcionamento das reuniões de Câmara, de forma a evitar que as discussões se prolonguem no tempo e se perca tempo a discutir. Esta conversa foi uma surpresa.
Na verdade, o normal em qualquer instituição, em qualquer associação, em qualquer entidade, todos sabemos isso, é, de facto, que é nas primeiras reuniões que se definirem as regras de funcionamento, porque, essas regras são um exemplo real da metodologia, dão uma visão do normal funcionamento e a forma como decorrer os trabalhos. É a primeira imagem institucional.
Por isso, é de admirar, agora, depois de mais de dois anos sem preocupações de gestão de tempos, do deixa andar, do massacrar quem assiste ás reuniões. Ao disse, não disse, não isso que disse. Enfim, dois anos com os assuntos a arrastarem-se, penosamente, nas reuniões, gerando climas de crispações, de vitimizações, em nada dignificando o órgão. A única coisa que justifica aquele massacre era levar as pessoas a perder o interesse em assistir aos ditos debates. Depois, via-se que certos momentos «discursivos» eram usados nas redes sociais. Curiosidades do fazer política no século XXI.
Mas, o que causa admiração é, agora, na recta final do mandato, optar-se por querer definir regras de funcionamento das reuniões da Câmara Municipal do Barreiro. Sim, foi dito, que esta era uma ideia que, já há um ano atrás esteve para ser abordada. Existia um «draft». Foi dito. Mas o «draft» ficou na gaveta. Pelos vistos a ideia agora é limitar os tempos de debate. A proposta que pelos vistos já tem o consenso do PS e PSD, a mesma, tem como base uma distribuição de tempos sendo – 5 minutos para cada eleito PS, 5 minutos para cada eleito CDU, e, 10 minutos para o eleito PSD. É caso para dizer – “assim se vê, a força do PSD”.
E, porque, na verdade, não questionar porque razão, o eleito do PEV, também no executivo municipal, não tem o mesmo direito a 10 minutos que o PSD. E porque razão para o eleito do PSD com cinco minutos considera-se que é pouco para intervir, e, um eleito do PS ou CDU, tem que ficar pelos 5 minutos, ou então, utilizar o tempo de silêncio de outros eleitos da sua força politica. Ou seja ouvir a opinião do eleito do PSD tem mais importância que ouvir a opinião de cada um dos eleitos do PS e CDU. Ou por outra, o órgão presidência, que também fica com 5 minutos, esse, também tem uma opinião que não se justifica que tenha mais que cinco minutos. Em suma, o eleito PSD, no executivo municipal tem mais valor que qualquer eleito PS, CDU e, tem mais direito que o próprio órgão presidência.
Mas, o mais estranho disto tudo é porque razão, durante mais de dois anos, não existiu esta preocupação de redução de tempos e, agora, a caminho das eleições, opta-se por querer discutir os tempos e reduzir o espaço de debate. Em tempos chamou-se a coisas destas, na vida politica e não só, a aplicação da «Lei da Rolha».
É verdade que as discussões arrastam-se, mas aprende-se tanta coisa, naqueles fait divers, principalmente nos dois grandes protagonistas dos debates – Rui Lopo e Rui Braga. E, também, vale a pena escutar de forma aberta Bruno Vitorino. São os protagonistas das reuniões. Acabar com esta delicia, das intervenções Rui Lopo, Rui Braga e Bruno Vitorino, em linha aberta total, é retirar às reuniões de Câmara o sua dimensão politica, pura e dura. É pena, as reuniões vão perder. Pois, mas tem que ser, as eleições estão próximo. É vida.
Enfim, estar agora, dois anos depois, a querer discutir regras de funcionamento do órgão executivo municipal, é, só por si um exemplo, de uma gestão feita do navegar à vista. Vai-se vendo e resolvendo de acordo com os interesses de circunstância. Acabar com o confronto aberto e confinar o debate, agora, nos tempos é ter medo de discussões, essas que permitem saber que há mais vida que a semanalmente anunciada no «isto é notícia»...uma espécie de «assim vai o mundo».
Durante muitos anos o concelho do Barreiro não foi um concelho, ou, até mesmo, Vila ou Cidade, que o seu espaço urbano fosse marcado pela presença de obras de arte. Essa realidade tem vindo a ser alterada, pouco a pouco, e, na Rotunda do Lavradio foi construído uma obra de arte de José Cândido, autor barreirense, autor da primeira moeda de 100 escudos ( igual ao modelo que foi utilizado para euro). Um escultor diversas vezes premiado, galardoado com a distinção «Barreiro Reconhecido», no a no de 1993. José Cândido é uma personalidade de referência ao nível nacional e internacional, pelo seu valor criativo e pelo seu percurso como Mestre. Para além da obra de arte dedicada ao 25 de Abril, na Rotunda do Lavradio, José Cândido tem um mural de sua autoria, na Rua José Relvas, ali colocado quando se iniciou a primeira intervenção de requalificação espaço urbano do Barreiro Velho, desde a Rua José Relvas, Largo Rompana até ao Largo de Santa Cruz.
A obra de arte de homenagem ao 25 de Abril, no próprio dia que foi inaugurada, antes mesmo de se ouvir o que constava da memória descritiva foi rotulada pela «vox populi» de «mamarracho», e, desde então, essa corrente de opinião foi expressa, o monumento do barreirense José Cândido, passou assim a ser rotulado - «o mamarracho». A opinião pública assim o diz, não se deve contrariar a opinião pública.
Talvez porque, desde a primeira hora, após escutar a interpretação da peça dada por José Cândido, fiquei apaixonado e adoro pelo seu sentido estético aquela obra de excelência de José Cândido, porque, afinal, estética é aquilo que dá a dimensão filosófica da obra. Nunca existiu preocupação em divulgar, amplamente, a memória descritiva da obra. Até parecia que existia um sentido de vergonha de defender ou valorizar a obra. Uns calavam-se. Outros entravam na onda do mamarracho. Era popular.
Uma obra de uma dimensão estética que toca o pensamento, a memória, a história da humanidade.Uma obra que dá um interpretação universal do 25 de Abril – da Liberdade, da Democracia.
O pilar de cimento, tem como significado a ditadura, dura, inflexível, quebrada no topo. O pilar de ferro, tem como significado a democracia, flexível, que se transforma com os efeitos do tempo, que se contorce, que nunca está concluída e parece projectar-se em continuidade... Entre o pilar de cimento da ditadura e o pilar de ferro da democracia, cruzam-se barras de ferro, em diferentes direcções, exemplificando o confronto de ideias, isso que é a democracia, o confronto de diferenças, a democracia que não é uma ideologia, são várias correntes que se cruzam e combatem a(s) ditadura(s). É a democracia que vence a ditadura.
Os dois pilares assentam num base, que era um pequeno lago, esse símbolo da vida - a água - onde nasce a vida. Um pequeno repuxo, suave dava esse sentido da vida a nascer. Correndo através de uma plataforma como se de uma fonte de vida se tratasse, um rio vivo em permanência. Todo o monumento estava rodeado por um círculo inclinado como sendo uma elíptica, a roda da vida e do universo. Na base, inscrita, de forma bem legível 25. Apenas 25. Que sendo um homenagem ao 25 de Abril, nele, subjectivamente, esta é minha interpretação, podiam estar todos os 25 que cada um entender, tal como Natal, porque o 25 de Abril, como o Natal é sempre que um homem quiser, ao lutar pela vida, pelo amor e pela Liberdade.
O lago de água quase não chegou a funcionar. Protestos da ASDAL criticando o desperdício da água, e, pronto foi desligada a fonte. Depois, na gestão PS, de Emidio Xavier, sem qualquer estudo, apenas porque se queria «embelezar o mamarracho», resolveu-se criar em redor, e, no meio, novos repuxos, mas, lá surgiu outro problema, sempre que dava vento norte, a água dos repuxos ia para estrada e era um perigo para os automobilistas. Ainda se procuraram soluções. Nada havia a fazer. O assunto acabou com o desligar dos repuxos e os mesmos ficarem a ser mais um elemento decorativo do dito «mamarracho». O mamarracho, agora, ainda mais mamarracho que o dito desde o seu original. Era já um amalgama de ferros.
Nasceu relva. Nasceram plantas. Abandono total. Em redor foram pintando aquelas grafits´s ( o tal efeito da dita teoria das janelas partidas) que mais ia degradando o momumento e aprofundado o conceito de mamarracho. Durante anos lá esteve no topo do monumento, ainda lá está, o pau da bandeira do Euro 2004. Abandono. Degradação. O dito mamarracho, foi-se mesmo tornando uma peça com um aspecto triste e degradante.
Em Março de 2017, foi divulgado pela Câmara Municipal do Barreiro, então CDU, que estava para breve a concretização de uma intervenção para recuperação do monumento. Nada foi dito do que estava previsto realizar. E nada foi feito. Um dia, este ano ou o ano passado, escutei numa reunião de Câmara o vereador Bruno Vitorino a defender, com razão, que o monumento era uma má imagem para quem entra no Barreiro. Na altura defendeu que daquela obra de arte só deviam ficar os dois pilares centrais. Ninguém contestou.
Não sei o que estava previsto fazer pelo anterior executivo, nunca foi divulgado, nem sequer na opinião pública se escutou uma voz a defender a obra de arte de José Cândido. O actual executivo, PS, fez o mesmo, decidiu, está decidido.
Lá está em marcha a obra de recuperação do monumento de José Cândido, ou melhor dizendo, a obra de destruição de uma obra de arte, satisfazendo a vox populi, pronto - lá se vai o mamarracho. Aqui fica o registo. José Cândido que perdoe. Mais uma obra de arte destruída em nome de um dito modernismo que não sabe o que é, nem o que quer ser, sinais de um Barreiro que sofre de autofagia. Ontem foi a destruição do monumento de Alfredo da Silva e o lindo espelho de água, na Avenida Alfredo da Silva, para dar lugar a estacionamentos. Hoje é a destruição do monumento de José Cândido, para melhor circulação na rotunda. Mas, o pessoal gosta - critica-se, comenta-se, fala-se, pronto finalmente, lá se foi o mamarracho, é vida. e os autarcas existem para dar sentido e ao que o povo gosta. Isso dá votos.
Ontem estive no meu dentista. Naquelas conversas de circunstância perguntou-me: “Então que diz desta nova gestão do Barreiro?»
Respondi-lhe com toda a naturalidade o que penso, que não via nada de novo, e, sublinhei que tudo o que está ou tem sido feito, regra geral, teria sido feito se a gestão continuasse a ser da CDU.
Aliás, acrescentei do que tem sido feito, quase tudo já vinha em marcha dos tempos da anterior gestão, e, até essa «bola de ouro» que, dizem, vai ser a alavanca da mudança do Barreiro, com a venda da Quinta de Braamcamp, até, essa «bola de ouro» existe porque foi uma compra concretizada na gestão CDU.
Parece que não gostam que se diga isso, quando, nos tempos de hoje, fazem qualquer coisa que acham que é bom, lá surgem os vídeos e as noticias. O PS fez. O PS cumpre. Não é a Câmara é o PS. Se a CDU diz que comprou a Quinta de Braamcamp, isso é arrogância, porque o Barreiro não é CDU. Mas pelo visto o Barreiro é PS.
E, nesta troca de conversa, ainda lhe disse, sabe, se a CDU, tivesse continuado, a Quinta Braamcamp, hoje, já estava em fase de recuperação e requalificação, porque existia aprovada uma candidatura apresentada pela anterior gestão, que estes não quiseram avançar porque apostaram em vender, aceitar a construção de 185 fogos, aprovados por um PDM ultrapassado, que sempre criticaram, e, agora serve para justificar o negócio, para encaixar 5 milhões na Câmara e urbanizar um território ribeirinho que nunca devia ter sido autorizado, por ninguém, que ali fossem construída uma zona de habitação.
Ficou um pouco admirado, pois, pelo que se diz aquilo está abandonado. Sorri. E disse-lhe, pois, é isso que se quer fazer crer, mas isso não é verdade,
E, ainda, acrescentei que se a CDU tivesse continuado também, certamente, já estaria em marcha a construção da ponte pedonal Barreiro-Seixal. Um erro que não tenha avançado.
Concordou comigo. Era uma coisa boa, disse-me.
E, sublinhei, mais, e se a CDU tivesse continuado, o Primeiro Ministro, António Costa, que, aqui no Barreiro, olhos nos olhos com Carlos Humberto, prometeu avançar com a ponte rodoviária Barreiro – Seixal, certamente, que este era um projecto que não tinha ido para a gaveta. Isto, sim era mudar o Barreiro, dar-lhe economia de escala.
E, o meu amigo dentista, comentou que o Barreiro está parado há décadas. Eu disse-lhe é verdade. Está parado há décadas e vai continuar parado, por muitas décadas, porque o problema estruturante do Barreiro é a falta de emprego, e, isso, nunca será a Câmara Municipal a resolver. A Câmara quanto muito agiliza o imobiliário, é assim há décadas. O resto, estica daqui, estica dali, depende de pequenos investidores, que é nossa realidade local, uma economia de micro, pequenas e médias empresas, o resto é do estado – Hospital, Tribunal, Escolas, Autarquias, TCB, Policia. Depois há, com a dependência di estado,. as IPSS’s, a Misericóridia os Bombeiros, e associações. Temos um exército de reformados que vive do estado. É isto o Barreiro há décadas.
E depois, de falar com o meu dentista fiquei a pensar em tudo isto...a vida real e a vida ficção.
Pensei o que era o Barreiro, antiga CUF e o território ferroviário, pensei que esse é o nosso potencial e, que, todo ele depende do Poder Central as opções que possam ser tomadas para lhes dar vida e dinâmica social e empresarial.
Essas, sim essas, são zonas ao abandono há décadas. Debater opções para esses territórios, atrair investidores para esses territórios, estabelecer pontes com o Poder Central, fosse o terminal – que começou com o governo PSD, continuou com o governo PS. Não foi uma opção CDU, foi uma opção CDU, e muito bem, para levar os governos a tomar decisões e atrir investimentos para aquele potencial. Isso foi bom, uma boa parceria com a Baía do Tejo, no anterior executivo, tal como, o mesmo, tentou o executivo liderado por Emidio Xavier, PS. É ali, que está o futuro, num misto entre o imobiliário, ligando a antiga zona industrial ao centro do Barreiro e ao Lavradio, funcionando com uma âncora estratégica integrada de requalificação e expansão urbana, mas gerando um nicho de actividades económicas – quer o nicho cultural, quer o nicho de industrias de novas tecnologias. Isso, acredito, se a CDU tivesse continuado, estava na agenda politico do diálogo entre a Câmara Municipal do Barreiro com o governo de António Costa.
Era isto que a CDU estava a fazer, e, certamente também tinha avançado com a requalificação na Quinta da Lomba, o processo estava em fase final.
Certamente, pelo que ouvi no final do mandato as Oficinas do Nicola já estavam em mudança para a antiga fábrica da Sotinco, quem sabe, com base num protocolo abordado com o Poder Central.
As obras anunciadas para breve na Doca Seca da CP, também já estavam a andar, assim, como os arranjos da zona ribeirinha junto aos Fuzileiros. Estava em fase final, mais 50 ou mais 100 mil euros. Todos os processos acontecem no tempo que se proporcionam, e pela vontade dos interessados. O resto é panfletário.
E a CDU, que avançou com o processo de renovação total da frota dos autocarros.
E a CDU, que avançou com as candidaturas de reconversão das AUGI’s.
Sim, eu disse, ao meu dentista e digo-o a toda a gente, nada foi feito de novo que anuncie uma ruptura com que vinha a ser feito da gestão anterior.
Não foi revisto o PDM. Não há estratégia para o concelho, nem para a cidade. É tudo avulso.
Depois, já cansa e satura o bla,bla, bla do Barreiro parado, da Braamcamp ao abandono, dos tenebrosos comunistas que nada fizeram quando afinal, os actuais gestores, receberam uma autarquia de contas limpas, com projectos prontos a avançar, com condições que não existiram nos últimos anos – em gestão nenhuma desde Helder Madeira, a Pedro Canário, Emido Xabier ou Carlos Humberto – e ainda falam dos comunistas quando deviam eram respeitar a herança que receberam e pelo trabalho, apenas pelo trabalho, provar que são mais que uma mera alternância de gestão da herança da CDU.
Quando voltar ao meu dentista quero ver que novidades levo e, reflectir sobre as mudanças anunciadas.
A Câmara Municipal do Barreiro nas suas últimas reuniões, apenas transmitidas pela internet, a partir do Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, não permitindo a presença de público, nem sabemos se eventualmente dos órgão de comunicação social, tem uma característica muito especifica, funciona com base no formato de sala de aula, oriundo do século XIX, no período da revolução industrial. A reunião utiliza o formato do dito modelo do «quadro negro», esse, que coloca o mestre junto ao quadro e os alunos todos de frente para o Mestre e, naturalmente, com os olhos no quadro negro. Na reunião o órgão presidência assume o lugar do mestre e os vereadores o lugar de alunos.
E, naturalmente, cada vez que um vereador pretende usar a palavra tem que se levantar e «ir ao quadro», diga-se ao púlpito. O único que se mantém inamovível do seu lugar durante toda a reunião, com plano de imagem, quase permanente a ser transmitido é o órgão presidência.
Para quem acompanha reuniões, para quem sabe o que deve ser o funcionamento de um órgão colegial, de um executivo municipal, é óbvio que a participação de todos os eleitos deve merecer um tratamento de igual dignidade, e, a reunião deve sempre funcionar com um modelo em que a relação comunicacional que proporcione interacção, não distinguindo. Perante esta situação, verifiquei o modelo utilizado por diversas autarquias da região, observando as suas transmissões via net, e, de facto, o registo de funcionamento das reuniões tem por base o conhecido modelo em «U». Esta sem dúvida a correcta.
Na realidade, esta opção de funcionamento da reunião com o modelo em «U», não retira a visibilidade, que, eventualmente, se pode querer dar ao «órgão presidência», que é um órgão importante, e, portanto, pela sua grande importância, é merecedor de um destaque de referência quer no plano da comunicação de promover a sua imagem, quer em relação ao restantes vereadores. O funcionamento em «U» permitia, sem dúvida, tornar a reunião mais operacional, proporcionava mais interacção, melhor comunicação entre os membros do executivo, sem gerar ruídos, quer devido às paragens originadas pelas movimentações da «carteira» para o púlpito, situação essa que, até, tapa o ângulo das cameras, cortando as imagens que estão a transmitir para a comunidade.
O auditório da biblioteca municipal tem espaço suficiente, mais que suficiente para que a reunião possa ter como modelo de funcionamento o «U». E, já agora, a decisão sobre o modelo de funcionamento da reunião devia ter sido matéria de conversas prévias com os restantes participantes, faz parte das regras das vivências democráticas, obter a opinião de forma consensual. Na reunião de Câmara todos os eleitos são representantes de sectores, eleitos por uma parcela da comunidade. Não há eleitos de primeira e eleitos de segunda.
Quando estou a assistir à reunião incomoda aquele movimento de levantar, sentar, levantar, tornar a sentar, isso seria desnecessário num modelo de funcionamento em «U». E, já agora, num tempo que são construídas no concelho do Barreiro rotundas de «união», e, num tempo que exige a «união» da comunidade, nesta, coisa simples da forma como funciona o executivo municipal emerge a real realidade da dita união.
Foi por essa razão que decidi tecer esta nota, porque não basta dizer que se quer união e falar de união, ou querer juntar vontades, quando o executivo municipal tem este modelo de funcionamento na da colegial, nada de união, mas, de formas de trabalho que pararam no tempo, este, modelo do século XIX, com origem na era da Revolução Industrial.
Há um ditado antigo que diz qualquer coisa como isto - a mesma água não passa duas vezes pelas margens do mesmo rio. Há também quem diga que, em equipa que ganha não se mexe. Bom, estes dois ditos, podem ser o ponto de partida para uma breve reflexão.
Por exemplo, reflectindo sobre o primeiro, podemos pensar que uma coisa dita, serve num tempo dito, ou que uma táctica utilizada serve num confronto concreto, e, como tal, deu os resultados que deu, mas, tal não significa que o mesmo dito, ou a mesma táctica, tempos passados, em circunstâncias diferentes possa produzir os mesmos efeitos. É que, costuma-se também dizer, à primeira todos caem, e, à segundo cai quem quer...e, também, que pode-se iludir umas pessoas uma parte da vida, mas não se podem iludir todas as pessoas a vida inteira.
No que diz respeito, ao segundo tema de reflexão, a matriz é a mesma, diz-se que numa equipa que ganha não se mexe, que será como dizer que, em discurso que ganha não se mexe. Pois, mas, afinal, a vida muda, o tempo muda, e, de facto essa coisa de «muita conversa e pouco trabalho», e, obviamente, outras coisas que tais, perdem credibilidade quando na vida real, tudo mudou, mas tudo ficou na mesma, assim com uma espécie do dito - faz o que eu digo, não faças o que eu faço... E, mais, num tempo que tudo mudou, num tempo que permitia catapultar para a vida o que se diz e o que se faz, fazendo. Com condições objectivas e subjectivas. Optou-se por manter um jogo de espelhos.
O que a história diz é que aqueles que consideram que tudo está garantido e, que tudo está no papo, não sendo necessário ter em conta as mudanças, porque acreditam no futuro anunciado...depois, na vida real, afinal, lá se vai o sonho e o futuro imaginado. Acontece com todos os que se convencem. Sempre foi assim, será sempre assim, é por isso, só por isso, que há quem diga que a história por vezes repete-se. Acontece. É outra história, porque são outros protagonistas, noutro tempo, mas repete-se. Nada é imutável. O que tem sido real e óbvio, ao longo de décadas, é a realidade pendular. Aquele relógio que marca o tempo. Tic-tac, tic, tac...
O problema é esse o futuro, nos dias de hoje, já não é tão previsível como outrora, nem tudo é tão linear, e, portanto, a vida comprova que nem sempre o mesmo marketing serve para vender o mesmo sabonete, principalmente quando, o sabonete já está usado pelo consumidor, e, quando o consumidor percebe o cheiro, confirmando pela experiência que o sabonete, o dito, tão propagado no seu potencial, anunciado como refrescante, com um novo perfume, afinal, não passava de sabão azul, com um rótulo muito bonito e brilhante.Um mera ilusão de óptica.
Isto, leva a concluir que, quando a pureza inicial anunciada, ou quando o encanto dos jardins etéreos, na vida real são transformados em ilusões, o que acontece, é que tal água que corre nas margens do rio, agora, já não é limpida e pura, é barrenta, e, por muito que se embrulhe e façam anúncios para divulgar o novo produto, verifica-se que nada mudou, antes pelo contrário o que mudou, na verdade, pura e dura, foi apenas tudo o que já estava anunciado e previsto. Tudo o resto foram acasos e circunstâncias.
E essa coisa de com papas e bolos se enganam os tolos, ou em terra de cegos quem tem um olho é rei, tem limites. Porque, assim como há limites para as gestão de emoções, também há limites para a gestão da inteligência. É, por isso, só por isso, que, de repente volta tudo ao inicial, e pensa-se que embora o sabonete seja o mesmo, basta mudar a embalagem, e, portanto, manter os mesmos ditos, e, a mesma marca. Acredita-se demasiado nos criativos. E, por isso, acham que o sabonete tem qualidade. Não percebem que embora a realidade seja a mesma, a vida mudou. Esse é o problema que existe para colocar no mercado o mesmo sabonete, com o mesmo marketing. E, agora, já vai ser dificil mudar a estratégia de venda do produto. Sim, vai ser mais dificil vender o sabonete, com os mesmos ingredientes, até, porque, com as mudanças epocais, hoje, existem outros vendedores de sabonete, e, esses, sem dúvida mais originais. Sim, são mais originais na produção estética do embrulho, dos slogan´ s e nas motivações. Eles não querem vender sabonete, querem vender um misto de sabonete e sabão clarim. E com clarim, toca a lavar. Na realidade, com o actual ambiente de promoção de produtos de limpeza que existem no mercado. Vai ser lindo. É assim quem cria ventos, gera tempestades. E, na realidade, o que se tem vindo a verificar é que a entre a cópia e o original, a opção dos consumidores está em crescendo pelo original, seja ele mais «sabonete» ou mais «sabão clarim». Ah, é verdade, e aqueles que, entretanto, perceberam que o sabonete era, apenas, e só, sabão azul embrulhado, esses, então, preferem mesmo o sabão azul. Não vão atrás do sabão clarim, porque tem fragrâncias que se diluem rapidamente. Mas, há muitos que usavam sabonete, agora, não se importam de mudar para clarim. Tudo depende do preço e da crise. Vão atrás do cheiro. É vida. Isto vai ser uma confusão de venda de sabonetes. E, afinal, a verdade, é que o sabão azul é assim como o algodão...não engana.