O Barreiro gosta muito de viver o faz de conta, faz de conta que vai ter uma «roda gigante», faz de conta que vai ter «um Terminal Ferro Rodo Fluvial», faz de conta...e cá vamos ficando num guetto.
O toque Veneziano
Agora é que o Barreiro vai mudar, agora não, será no ano de 2025, quando começarmos a sentir nascer o «toque de Veneza», ali na Quinta Braamcamp. Depois do sonho da «Roda Gigante», agora temos o sonho do «toque de Veneza». Para as eleições de 2017, foi a «Roda Gigante», para as eleições de 2021, vamos ter o «toque de Veneza». É preciso é ter imaginação. Eu que pensava ir celebrar os meus 50 anos de casado a Veneza, já não preciso de ter essa preocupação, vou ter ali na Quinta Braamcamp um hotel, rodeado de um toque veneziano. E, no Carnaval, como vai ser lindo, entre as dunas da praia e pelas caldeiras, promover um desfile de máscaras em gondolas – coisa única no Tejo. O Carnaval Veneziano na Quinta Braamcamp. E, ainda, nos dias de maré cheia e fortes chuvadas, tal como acontece com a Praça de São Marcos, os barreirenses vão ter a oportunidade de juntar ao «Largo das Obras», a beleza veneziana naquela Quinta junto às caldeiras. Isto sim é turismo. Isto sim é dar projecção ao potencial do Barreiro. Nunca o Pedro Canário teve este rasgo de ver nascer um «toque de Veneza» na Quinta Braamcamp, quando aprovou os 185 fogos no PDM. Ele quanto muito imaginava um condomini privado, que, diga-se chegou a ser falado nos tempos de Emidio Xavier.
Os planos dos olhares e dos sorrisos
Hoje há reunião da Câmara Municipal do Barreiro é um momento interessante da vida politica local, aliás, a vida politica local, nos tempos actuais, pulsa em torno do que se agita naqueles encontros. São divertidos. As reuniões agora, devido ao COVID, são apenas reservadas aos eleitos, por isso assistismos via internet, ao desfilar pela tribuna dos veredaores. Só um eleito se mantém, impávido, no no seu lugar, como se fosse o professor a dirigr-se aos seus alunos. Há momentos interesssantes na realização – sim, as sessões de Câmara contam com um realizador – que está atento aos pormenores, especialmente, aqueles que registam as intervenções de vereadores da CDU. Se naqueles momentos se escuta da tribuna algumcomentário mais assertivo, então, de imediato o realizador intercala a intervenção com o plano dos sorrisos ou dos olhares criticos, da mesa central. É assim, “Noblesse oblige”!
Memórias...
Sobre a Quinta Braamcamp, muito se escreveu e muito ainda se irá escrever, há coisas que se dizem que, sem dúvida, devem ficar para memória futura. São palavras que permitem pensar e sentir o potencial.
Quinta Braamcamp
Todos consideramos o potencial deste espaço muito elevado, concordamos que são terrenos privilegiados junto à zona ribeirinha do Barreiro. Mas o que fazer com eles? Habitação? mais um jardim? ... será por aqui que devemos de apostar em criar um espaço de destino, não só para os barreirenses, mas também capaz de atrair visitantes/turistas em larga escala. Não teremos outra oportunidade de repensar o posicionamento da nossa Cidade se “ocuparmos” a Braamcamp com uma utilização para usufruto de fim de semana. O pensamento e a nossa visão deverão ir um pouco mais além e encontrar uma solução que coloque este espaço no centro do desenvolvimento económico e no centro da atividade turística do Concelho.
Na reunião da Câmara Municipal do Barreiro, ontem, após a habitual troca de galhardetes, que é a característica das reuniões da autarquia, foi retirada uma proposta apresentada pela CDU, de atribuição de um apoio de 40 mil euros, ao Grupo Desportivo Fabril, com o objectivo do clube proceder à recuperação do piso do Pavilhão.
A troca de galhardetes, neste mandato, tem sido uma marca das reuniões, pois, desde a primeira hora, nunca se abandonou o clima eleitoral, nem foi feita uma abordagem dos assuntos que não tivesse sempre, por base, um horizonte eleitoral. Está patente em todos os discursos. Nunca, como no actual mandato autárquico, ao longo de mais de quarenta anos de Poder Local, foi vivido um clima de permanente «campanha eleitoral».
Uma das notas do debate de ontem, é que não havia uma «varinha mágica» para imprimir dinheiro. E o tema «varinha mágica» ficou a pairar ao longo do debate. Foi, o existir, ou não existir, «varinhas mágicas» que motivou este texto.
Ontem também foi divulgado que o juri do concurso da Quinta Braamcamp, aprovou o projecto da empresa Saint Germain, com sede em Leiria, e, especializada na compra e venda de bens imobiliários. O valor de cinco milhões e dez mil euros. A outra empresa, a Calatrava Grace LLC foi excluída, por deficiências no processo de candidatura, esta, foi a empresa referenciada, como sendo uma presença no concurso, que demonstrava o interesse internacional pelo Barreiro. O valor da sua proposta era de cinco milhões e trinta mil euros.
Esta empresa foi dito, está presente em várias capitais mundiais, incluindo Lisboa. Santiago Calatrava, arquiteto e engenheiro, espanhol conhecido em Portugal pelo projecto da Gare do Oriente, no âmbito da Expo 98. Mas, a empresa do arquitecto Santiago Calatrava não contou, foi excluída.
Recorde-se que na proposta do Concurso divulgou-se que dos 21 hectares de terreno da Quinta Braamcamp seriam ocupados em 95% por zonas desportivas, espaços verdes e de lazer. Os restantes 5% eram destinados para construção de habitação. No entanto, ontem, foi referido que apenas vão voltar para o dominio público 82% do território. Na reunião de ontem foi dada uma informação sobre o resultado do Relatório final do Concurso, que, naturalmente, terá que ser aprovado pelo executivo municipal. Para além disso, está a decorrer um processo em Tribunal.
Escrevo este texto, pelo espanto de verificar que nas redes sociais, hoje, circula um video sobre o que vai ser o futuro, o que vai ser instalado na quinta de Braamcamp. Não se sabe, quando, nem daqui a quantos anos, mas o video já dá uma visão. Lembrei-me do video da célebre RODA GIGANTE, na última campanha eleitoral, e, todos recordamos, que, após as eleições passou a ser uma visão. Ao ver o video de hoje, fico a pensar se o mesmo também não é, isso, apenas isso, uma mera visão.
E, voltando ao principio, recordo que na troca de galhardetes na reunião de Câmara falou-se de eleitoralismo, de populismo, em torno da apreciação de uma proposta de 40 mil euros para o Grupo Desportivo Fabril, e, foi dito, e redito, que não há «varinhas mágicas».
Ao ver o video da visão anunciada para a Quinta de Braamcamp, dei comigo a interrogar-me: Há, ou não há, varinhas mágicas?. Conclui, afinal, quando se trata de eleições, há mesmo «varinhas mágicas». O video de apresentação do projecto anunciado da Quinta de Braamcamp é, sem dúvida, Campanha Eleitoral, pura e dura. O video faz parte da narrativa dos bons que querem o bem para o futuro do Barreiro. Os maus que só querem o retrocesso. Os bons que querem revitalizar. Os maus que querem manter o abandono. Acredita quem quer, é vida. O video que está a circular nas redes sociais é mesmo uma criação de uma varinha mágica. Este, sem dúvida, supera o video da Roda Gigante, porque, afinal, já não é imaginação é a plena decisão de colocar o imobiliário a ocupar a zona ribeirinha. Sem se saber qual a importância deste projecto para uma estratégia de cidade, sem se saber como nele se insere a revalorização do Barreiro Velho, ou a Escola Alfredo da Silva. Um projecto que apenas concretiza o previsto, ao nível de habitação, por um PDM caduco e ultrapassado. Um território que vai perder a sua identidade única no estuário do Tejo. Um projecto que, faz da Quinta Braamcamp adquirida pelo anterior executivo, mais um exemplo da «politica do cuco» levada a acabo pela actual gestão municipal.