Sente-se a cidade nas palavras que fazem pensamento de cidade

Este tempo de pandemia altera os nosso hábitos, introduz novos comportamentos, obriga-nos a repensar os dias.
Esta semana marca o recomeço de actividade após este período de férias repartidas. Cá estamos de novo neste retorno às vivências quotidianas.
A semana passada o jornal «Expresso» na sua revista publicou um extenso trabalho sobre a vida e a agenda de Vhils, que recentemente realizou uma grande exposição individual nos Estados Unidos. Vhils, de seu nome Alexandre Farto, neste trabalho jornalístico do jornal «Expresso« recorda os dias que, na Margem Sul, nas ruas do Barreiro ou Seixal, começou a pintar os muros e as carruagens dos comboios, naquela escola de «cultura do graffiti», vivendo situações de tensões com a policia.
Nos dias de hoje, Vhils é um nome de referência internacional, sendo uma bandeira na divulgação da arte urbana.
Com ele, trabalham em permanência 43 colaboradores, 18 dos quais no Vhils Studio.
Recorde-se que Vhils tem, no Barreiro, no território da Baía do Tejo, o seu estúdio e um dos seus mais extensos murais.
Neste trabalho do jornal Expresso são recordadas palavras escritas por Vhils, numa crónica que publicou no jornal «Público».
“Sempre defendi que a cidade deverá ser também daqueles que a vivem. Não apenas daqueles que a pensam, planificam e gerem. Há que saber vivê-la no presente, com respeito pelo passado, mas com a ambição no futuro. A cidade não é um meio estático. Tal como um organismo, a cidade vive, transforma-se, adapta-se, regenera-se, reinventa-se. E, como tal, tem de saber aceitar as novas manifestações artistícas do seu tempo”.
Leio estas palavras e sinto, porque as palavras são para ler e sentir. Sente-se a cidade nas palavras que fazem pensamento de cidade. É isso.
O Barreiro, com o projecto «Art in Town», uma parceria ADAO/Núcleo de Arte Urbana com a Câmara Municipal do Barreiro, estava a criar um «portfólio» de obras de arte urbana que, pouco a pouco, ganhavam pelo seu conjunto referência nacional. ODEITH, Mar e Ricardo Manso ou Tota, são nomes que integram os projectos existentes no concelho do Barreiro. Vhils, veio acrescentar mais uma obra imponente que faz parte de um «Roteiro da «Art in town», que, certamente, podia ser um «nicho de turismo», de vivências culturais, e, promover no Barreiro projectos criativos inovadores, envolvendo gerações – a memória e o futuro.
Penso nisto e, com tristeza, registei que embora o Vhils tenha o seu estúdio no Barreiro, na peça do jornal «Expresso«, nem merece registo uma fotografia do mural do artista que existe, ali, na Alameda que liga o território da Baía do Tejo ao centro da cidade.
Volto ao texto de Vhils e penso, com os seus pensamentos, que uma cidade é um organismo vivo, que, “não é apenas daqueles que a pensam, planificam e gerem”.
Viver a cidade é pensar a cidade, porque a vida é para viver e pensar. É no pensar que começa a acção. E toda a acção é o reflexo de pensamentos.
Cá estamos de regresso de férias, para pensar, agir e fazer cidade.
Pois, cá estamos...
S.P.