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Rota 66

Rota 66

Da Covidocracia ao como «ganhar eleições»...

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Decorrem cerimónias de vida civica que ignoram a participação de eleitos que não integram a governança. Fala-se de listas de cidadãos, mas, é como sempre ou talvez não. As ruas da cidade com música...eleições a quanto obrigas.

Aqui há gato...

Pelas redes sociais soube-se que decorreu uma cerimónia de entrega de Medalhas de Distinção municipal ao Movimento Associativo, pelos vistos, a iniciativa não foi pública e nem sequer do conhecimento de todos os eleitos do executivo municipal.
Hoje no Barreiro, de facto, as coisas são um pouco assim, com as ditas restrições do COVID, as iniciativa são apenas destinadas ao envolvidos e aos eleitos da força politica local que lidera o municipio.
Bruno Vitorino, eleito pelo PSD, nas redes sociais pedia desculpa ao Movimento Associativo pela sua ausência na dita cerimónia, mas, tal devia-se ao facto de não ter conhecimento da sua realização. Soube pelas redes sociais.
Em suma já não vivemos em democracia, agora estamos na era da COVIDOCRACIA.
Aqui há gato...

Listas Independentes

Ma verdade, sempre que se aproximam os actos eleitorais autárquicos um dos temas que emerge é essa possibilidade de surgirem listas de independentes no concelho do Barreiro.
Mas, até hoje, qualquer iniciativa nesse sentido, mesmo que ténue, se esgota com a integração dos eventuais protagonistas nas listas dos partidos politicos. Foi o que aconteceu nas últimas eleições autárquicas com a dita «Plataforma 2830», que era um vazio politico, era apenas um chavão e um grupo de pressão, que acabou por diluir-se, integrar e liderar as listas protagonizadas pela Partido Socialista.
Um lista de cidadãos, de facto, nos temos de hoje, é, sem dúvida. mais fácil de se concretizar que no passado recente, quando a politica local era fruto de ideias e valores.
Hoje, nestes tempos de pragmatismo a politica local gira, regra geral, em torno de uma só ideia – “como ganhar as eleições”. No mundo empresarial e económico as empresas visam – “como ganhar dinheiro”. O mundo da politica hoje é “como ganhar eleições”.
Para isso existem agências de publicidade, que podem disponibilizar out door e equipas para gestão das redes sociais, assim como meios técnicos para produção de videos ou criações tridimensionais que proporcionem visões de futuro.
Isto, por vezes, falta aos partidos. Por isso, as listas de cidadãos podem nascer, mas, se for com esta filosofia de “como ganhar eleições”, que significa um pouco, vale tudo menos tirar olhos e desumanizar a vida das cidades, então pouco servirão para mudar o futuro.
Para isso, já basta assim...

Música nas ruas da cidade

Uma noite estas um camião, com luzes e som, encheu as ruas da cidade. Foi um iniciativa interessante. Foi uma iniciativa que envolveu artistas locais, gente que anima noites em colectividades e bares, algumas vozes do fado, que são muito bonitas. Gente que também sente dificuldades, nos tempos de hoje, devido ao COVID. Uma boa iniciativa de apoio a alguns que vivem desta actividade, longe dos grandes ecrans, mas que. Localmente, são cigarras que contribuem para matar a solidão. Uns gostaram. Outros não gostaram. Uns dizem pimpa. Outros aplaudiram. Foi acima de tudo uma iniciativa solidária com artistas locais, esses, muitas vezes ignorados, porque são o parente pobre. Alguns que conheço com vozes lindas.
Mas, o que achei arrepiante foi tal Ilha da Madeira, como fazia o Alberto, aquela presença a dançar, aquele ruído, que, afinal, demonstra que em torno de um evento engraçado, há sempre quem goste dar o ar da sua graça.
É o tal, o que conta é tudo fazer, porque, afinal, é preciso...ganhar eleições. E isso a tanto obrigas, não é Alberto.

S.P.

 

Das percepções e das lições de democracia

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Os conceitos não estão fora da vida. A vida faz-se no que fazemos e o que dizemos deve ter essa expressão no fazer. Mas, hoje, vive-se mais em torno de percepções, são elas afinal as portadoras das ditas lições de moral e democracia.
 

Festa do Avante...a politica e a percepção.

Nos últimos anos a palavra «percepção» tornou-se o que se pode definir como um «paradigma» do pensar e fazer politica.
A propósito da Festa do Avante e toda a polémica, que se tem gerado em torno da sua realização, o que não é nada de mal, porque a existência de opiniões diferentes sobre o evento é salutar.
No entanto, o mais preocupante é que a polémica veio marcada de uma feroz campanha de acção politica, que uniu os que gostam de potenciar a politica com base nas percepções, se essas percepções são o caminho útil para o combate ideológico puro e duro.

Foi isso que aconteceu em torno deste evento, percepções e mais percepções, que culminou com a entrada do Presidente da República, a colocar a cereja em cima do bolo, quando veio colocar a sua reflexão sobre a festa, que sobre isso, disse, não é um problema se está bem organizado ou mal organizado, mas, sim «é a percepção que a opinião pública tem em relação ao acontecimento».
Portanto, é isto, apenas isto, entrar na onda do fazer opinião, do cultivar opinião indo atrás da percepção, a opinião sobre a vida molda-se de acordo com a percepção. A avaliação politica faz-se com base na percepção. Não são os factos. Não é a forma. Não é a substância. É a percepção. É o adjectivo, porque, afinal, o adjectivo é aquilo que no essencial molda as ditas percepções. A percepção não é conceito, a percepção é emoção, e é a emoção de facto é a força que dá força e cultiva o populismo.

A lições de democracia e as lições de moral

Uma curiosidade que, regularmente, observo nos «confrontos politicos» que acontecem nas reuniões da Câmara Municipal do Barreiro, é verificar que quando o PSD toma posições, por vezes até agressivas e demolidoras, para o com governo PS, ou para a governança autárquica local liderada pelo PS, raramente recebe a resposta politica adequada.
O PS, como se diz na gíria, mete a viola no saco e opta por calar, ou, quanto muito torce o nariz para o lado. Admite que o PSD lhe salta a rolha para atacar o governo, e, isto é democracia que dá legitimidade politica de criticar. O PS torce o nariz, engole e cala.
Mas, quando se trata de ser a CDU criticar a gestão da governança autárquica liderada pelo PS, ou as politicas do governo. Neste caso o PS, ergue a voz, admoesta a CDU, e, é rara a vez que não sublinha que o PS não aceita lições de moral, ou lições de democracia da CDU.
Isto é uma constante. O PSD, portanto, pode dar lições de moral e democracia ao PS. Neste caso o PS come e cala.
Quanto à CDU se fala é criticista e leva nas orelhas. É isto a vida. É isto que faz nascer a tal cultura de percepções. Afinal, lições de moral e lições de democracia...só se recebem do PSD.

Marx, Engels, Lenine, PCP e Álvaro Cunhal

Escutei com atenção e curiosidade a intervenção de Jerónimo Sousa, no Comicio de Encerramento da Festa do Avante, porque considero que a visão e a análise politica do PCP, é importante para pensar Portugal e o tempo que vivemos.
Registei as duas medidas de exigência de nacionalização do «Novo Banco» e de trazer de novo os CTT para a gestão pública. Duas propostas que nos tempos de hoje, não podem ser avaliadas como se estivessemos no PREC, antes pelo contrário, os tempos de hoje, cada vez mais colocam como imperioso repensar a importância do Estado na regulação de serviços essenciais, no garantir o bem comum, e, tomar medidas estruturantes para a economia e para a coesão da comunidade. A forma como a Europa se posicionou, ou procurou posicionar-se, agora, perante a crise emergente da pandemia COVID, não é a mesma Europa das politicas asfixiantes da austeridade. Talvez, por isso, o PCP tem razão nas suas propostas.
Aliás, o PCP tem razão em diversas propostas que apresenta sobre a actividade laboral, as relações de trabalho, e, até sobre a perda de produtividade do país.
Na verdade, agir com politicas que defendem estas matérias são as respostas fundamentais para travar o crescente aumento da influência do populismo.
Mas, já agora, nesta intervenção de Jerónimo de Sousa, despertou-me muita atenção o facto de a expressão marxismo-leninismo ter estado ausente no discurso. Coisa rara em Festas do Avante.
Jerónimo Sousa, salientou que nesta fase de preparação do XXI Congresso do PCP, «a identidade comunista», e «a natureza de classe» da «ideologia» e «princípios de funcionamento» do PCP, são desenvolvidos, disse – “usando os instrumentos que Marx e Engels criaram, a experiência legada por Lenine e a elaboração colectiva do PCP com o singular contributo de Álvaro Cunhal”.
Esta é uma nota que registei, porque, é, sem dúvida, uma marca de um novo «pensamento politico», o qual equaciona o pensar a estratégia e a táctica do fazer politica, analisando a situação portuguesa e mundial, com base em instrumentos teóricos, politicos e filosóficos, com raíz na história e na memória...que vão para além do marxismo-leninismo, integrando o pensar o «aqui e agora», de forma dialéctica e histórica. Uma curiosidade.

António Sousa Pereira