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Rota 66

Rota 66

Está a atingir-se «o grau zero da politica»

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Cá estamos neste tempo que anuncia a Primavera. E como vamos vendo, ouvindo e lendo, naturalmente, não podemos ignorar.

Então cá estamos na nossa «Rota 66». De vez em quando vamos passando por cá, para manter a vida animada.

Atingir o grau zero da politica

Na reunião da Câmara Municipal do Barreiro, Bruno Vitorino, Vereador eleito pelo PSD, expressou a sua indiganção e classificou de «ligeireza e leviana” as afirmações do presidente da Assembleia Municipal do Barreiro, a um jornal local, na qual o também líder do PS, terá sublinhado que no Barreiro foram realizados 100 milhões de investimentos.
Para o vereador social democrata estas declarações de André Pinotes significam que no concelho do Barreiro está a atingir-se “o grau zero da politica”.
Na sua opinião a entrevista do líder do PS é “uma forma leviana de estar na politica”, que espalha número e faz a magia dos milhões.

A Comuna de Paris e as fotomontagens falsas

Foi no dia 18 de março de 1871, faz hoje 150 anos, que foi vivida uma revolução que instituiu um governo popular, que ficou inscrito na história da humanidade – a Comuna de Paris.
O jornal «Público» edita um texto da historiadora Mathilde Larrère, que dá uma visão sobre os acontecimentos daquele Março, que deu origem a um governo que adoptou a “bandeira vermelha” como símbolo nacional, defendeu a separação entre o Estado e a Igreja, o fim do serviço militar obrigatório, a abolição da pena de morte, a instituição da igualdade civil entre sexos, a secularização e a gratuitidade da educação para toda a população, a criação da segurança social, a redução da jornada de trabalho e o fim do trabalho nocturno, a fixação de salários minimos para os trabalhadores, a desapropriação de residências e fábrica sem uso e o controlo dos preços de alimentos, sublinha a historiadora no seu texto.

Mas, um aspecto curioso deste trabalho é o apontamento que sublinha o facto remontar a este acontecimento, numa época que eram dados os primeiros passos na cobertura fotográfica, sendo os pioneiros da foto reportagem, Ernest-Charles Appert e Eugène- Léon Appert, com intenções de propaganda, sendo contra a Comuna de Paris, manipularam imagens, utilizando pela primeira vez a foto montagem, com a finalidade de dar uma imagem dos revoltosos como assassinos, que perpetravam massacres e fuzilamentos.
Assim muitas das suas fotomontagens que foram reunidas num álbum – Crimes da Comuna de Paris – retratam situações falsas.
Fica o registo como a manipulação da verdade histórica vem de longe, de muito longe...

André Silva deixa liderança do PAN

André Silva. Líder do PAN – Pessoas – Animais – Natureza, não será candidato à liderança do seu partido no Congresso agendado para os dias 5 e 6 de junho.
Em noticia divulgada pelo jornal «Público» refere-se que André Silva que «apanhar o comboio da paternidade».
O líder do PAN vai renunciar ao mandato de deputado na Assembleia da República, deixa a liderança e via regressar à situação de filiado de base.

Não basta ser um dito bom gestor...

No jornal «Público», o meu ponto de encontro diário com o mundo, na sua rúbrica «Escrito na Pedra», do dia 17 de Março, podia ler-se :
“Gestão é fazer certas as coisas, liderança é fazer as coisas certas”, uma citação de Peter Drucker. Achei interessante. Li e sorri.
Pensei é isso, não basta a gestão certa, é preciso a coisa certa, ou seja, não basta ser um dito bom gestor...
Fica o registo.

S.P.

Da principal «entrada» do Barreiro à indignação de Bruno Vitorino

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Na Rota 66 de hoje, neste dia que assinala os 110 anos da morte de Fialho de Almeida, o homem que se deslumbrou com os moinhos de Alburrica, aqui ficam dois registos, a indignação de Bruno Vitorino, na reunião de Câmara, e, a visão estratégica sobre as ditas «entradas» do Barreiro, que, cada vez são mais, e mais, são rotundas de saídas pela manhã e entradas ao fim do dia.

 

A Rota 66, uma rubrica para comentar a vida, porque uma das missões do fazer jornalismo é comentar a vida. É a vida democrática a pulsar.

A indignação

Na reunião da Câmara Municipal do Barreiro, ontem, Bruno Vitorino, vereador responsável pela área do empreendedorismo no executivo municipal, referiu que tem trabalhado muito no projecto e vai continuar a trabalhar pelo desenvolvimento da «Starup Barreiro», apesar, de não ter sido convidado para a visita às obras.
É compreensível a posição de Bruno Vitorino, sendo um dos grandes defensores e que está na origem da sua criação politica, não se percebe que na primeira visita oficial do executivo municipal não tenha sido informado e convidado a visitar o arranque da obra.
Pronto, para já para história, nos registos fotográficos do arranque da obra, Bruno Vitorino, foi eliminado.
Apesar de ter sido dito que pode visitar a obra quando quiser, naquela reunião de Câmara faltou um pedido de desculpas.
É justa a indignação de Bruno Vitorino.

Principal entrada e principal saída

Um destes dias lia na rede social linkedin, um texto de uma personalidade fundadora da «Plataforma 2830», que anunciando a obra da rotunda e arranjos envolventes, na Avenida da Liberdade, referia que esta era “outra obra estratégica” que vai promover a “qualificação paisagística da principal entrada do concelho para quem vem de Lisboa”, acrescentando que são “mais de 20 mil pessoas diariamente”.
Fiquei a pensar sobre este texto, sobre as razões que podem levar a escrever esta narrativa. A principal entrada do concelho por onde diariamente passam mais de 20 mil pessoas.
A informação que constava, no ano 2019, era que nas ligações de barco do Barreiro para Lisboa circulavam diariamente uma média de 30 mil passageiros, se agora, são 20 mil é porque se verifica uma grande redução. Será mesmo?

Mas, este facto, leva a comentar que aquela área urbana não é nenhuma entrada do Barreiro, é, isso, apenas isso, uma rotunda – um interface de transportes – que tem dois momentos de pico, de manhã, para sair do Barreiro, rumo à vida, à tarde, para regressar ao Barreiro, rumo ao descanso. Isto quer residentes do concelho do Barreiro, no concelho da Moita e, até, do concelho de Palmela.
É um ponto de passagem, um local para sair dos carros para o barco, do comboio para o barco, do autocarro para o barco, pela manhã, e, o contrário à tarde, do barco para o regresso a casa.
Uma entrada do Barreiro. Era bom que fosse, porque isso significava que seriam muitos que nesta margem tinham emprego, ou que era tal a atractividade do concelho, que, diariamente, muitos lisboetas – turistas ou não – se deslocavam por esta entrada para estimular a vida económica local.
O que me admirou nem foi por ser referido o espaço como uma entrada no concelho, mas, foi, isso sim, ter-se esta visão estratégica, quando se fala em gestão do território e nas suas funcionalidades, usar o conceito que esta é a «principal entrada» do concelho, quando antes de ser entrada, é, isso sim a «principal saída».
Percebo, só assim, com este modelo de pensar a gestão territorial, se pode falar que aquela é uma obra estratégica. Fica o registo. É vida.
E por hoje fico por aqui, divirtam-se,

S.P.

Participação, surrealismo e ilusionismo...e esta hem!

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. Sim à Participação. Não ao betão.


. Frederico Rosa provável candidato do PS

Um obra que se arrasta desde o inicio do mandato. Estamos a entrar em 2021, e na reunião da Câmara Municipal do Barreiro, de novo na ordem de trabalhos uma proposta de autorização de consulta de contratação de empréstimo de um milhão e 50 mil euros para reabilitação do antigo Armazém de Víveres. Na Proposta não é referido o antigo Dormitório da CP.
 

Entre o surrealismno e o ilusionismo

Uma das primeiras propostas do actual mandato autárquico resultou de um acordo que foi concretizado num Contrato de subconcessão, assinado entre a Câmara Municipal do Barreiro e a IP – Património, com a finalidade de recuperação do edifício do antigo Dormitório da CP, destinado a instalações da Assembleia Municipal do Barreiro e do Armazém de Víveres, este destinado instalação de um hostel.
Em junho de 2018. Em reunião de Câmara foi aprovada a proposta de concretização de um empréstimo de um empréstimo de médio e longo prazo, no âmbito do IFFRU 2020, até ao montante de 1 milhão e 50 mil euros, visando avançar com esta obra, anunciada com pompa e circunstância, como a criação de “mais uma centralidade” e “acabar com o património emparedado"!
A CDU contestou esta proposta, por considerar uma decisão errada, dado que a autarquia assumia realizar um investimento em património de outra entidade, "numa coisa que não é nossa”.
O PSD considerou a “bondade do equipamento” e, tendo, anteriormente, aprovado o acordo que foi assinado com a IP, em coerência a sua opção era favorável reconhecendo até a sustentabilidade da proposta.
Anunciada a obra, aprovado o empréstimo, conhecidos os seus objectivos com videos, a recuperação do edifício do dormitório e do Armazém de Víveres, foi dito, então, que deveria estar concluído antes do final de 2019.

Estamos a entrar em 2021, e na reunião da Câmara Municipal do Barreiro, de novo na ordem de trabalhos uma proposta de autorização de consulta de contratação de empréstimo de um milhão e 50 mil euros para reabilitação do antigo Armazém de Víveres. Na Proposta não é referido o antigo Dormitório da CP.
Uma longa discussão, argumentos para aqui, argumentos para ali – o edifico do antigo Dormitório – é designado pelo PSD como o «Edificio André Pinotes». A ideia que este investimento é uma erro, é sublinhada pelo PSD e pela CDU, depois de muita conversa, chegou-se a uma grande conclusão que de nada servia a CDU e o PSD votarem contra e inviabilizar a nova consulta de pedido de empréstimo, dado que já estava aprovada a anterior proposta.
Afinal, a nova consulta visa obter um juro mais baixo para o empréstimo. É assim uma espécie de baralhar as cartas de dar de novo. Recomeçar o processo de uma obra anunciada, quase como um exemplo de uma mudança de visão em relação ao património ferroviário.
A discussão foi surrealista. Não, sim pois, talvez, coisa e tal, aquela conversa que todos conhecemos. Terminada a discussão, foi aprovado recomeçar o processo do empréstimo. O verdadeiro ilusionismo politico.
Estão a ver o Hostel, a nova centralidade que vai nascer...ainda não estão a ver, mas vão ver, e com juros mais baratos. Percebem seus aziados da CDU e do PSD.

Frederico Rosa provável candidato do PS

José Luis Carneiro, Secretário-Geral Adjunto do Partido Socialista, numa entrevista, hoje no jornal «Público», refere que nos “critérios de escolha dos candidatos” para as próximas eleições autárquicas, o “primeiro” é “a garantia de continuidade daqueles que estão no exercicio de funções de presidente de Câmara e que ainda não estão no limite dos seus mandatos, a não ser que motivos de cariz extraordinário assim o justifiquem”.
Perante este principio de orientação nacional, pode, portanto prever-se que o candidato do PS, no concelho do Barreiro, será o actual presidente da Câmara, Frederico Rosa, que, sublinhe-se conta com todo o apoio da liderança concelhia, o deputado André Pinotes e presidente da Assembleia Municipal do Barreiro.
O criador da «Plataforma 2830», será, portanto, provavelmente (re)candidato nas próximas eleições autárquicas.

Sim à Participação. Não ao betão.

Hoje, no jornal «Público» li esta frase que fica para meditação. Ao ler recordei os tempos que se dizia que as «Opções Participadas», não serviam para nada, que se fala com «barrica cheia» de Orçamento Participativo. Que se criticava a CDU de não ouvir as populações. E, de facto, isso de ouvir a população foi chão que deu uvas. Se querem vão á reunião pública. Falam ne não respondem, nem comentam. É o respeito democrático.
“A grande marca que os decisores politicos podem deixar hoje nas comunidades não é o betão é o imaterial”, afirma José Manuel Ribeiro,
Presidente da Câmara Municipal de Valongo, eleito pelo PS.
Presidente da Rede de Autarquias Participativas.
Subscrevo estas palavras. Mas, isto, como em tudo na vida, são escolhas, são opções.

António Sousa Pereira


 

Nas redes sociais devia ser criada a figura de «gestor de opinião»

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. “Mais de 800 Padres já vacinados”.

Nas redes sociais devia ser criada a figura de «gestor de opinião». São tantos os que existem, que divertem e causam tédio. Estão sempre de lápis afiado. Principalmente quando são criticas ou comentários aos poderes instituidos.
 

Nos meus tempos de vivência entusiasmada do Movimento Cooperativo, existiam temas que animavam algumas reuniões entre dirigentes e, até, o debate de ideias sobre o futuro, nomeadamente a “integração económica” e a “fusão”. Eram temas constantes em conversas, artigos e nas agendas das reuniões.
Hoje, pela manhã, esses debates e conversas tocaram o meu pensamento e foram o «leit motiv» para dar uma grande gargalhada.
Quando entrei na papelaria li o título do Correio da Manhã, e, não me contive no riso, naquela mistura de pensamentos entre a memória e a actualidade.
Voltando às reuniões do cooperativismo, nos tais temas que eram uma constante, ano após ano, reunião após reunião.

Um dia, no decorrer de uma dessas reuniões, um dirigente, cansado de tanta conversa e narrativas sobre «integração» e «fusão», comentou: “Nesta conversa sobre fusão e integração cooperativa que todos falam e dizem que concordam e que é o futuro, acho que todos, a repetir sempre a mesma conversa e a adiar, fazem lembrar os católicos. Todos falam que querem ir para o céu, que o céu é o futuro de todos, mas, depois, ninguém quer ir para o céu e todos fazem o possível de ir para o céu quanto mais tarde melhor”.
Esta conversa chegou à minha memória, em risos e proporcionou-me uma deliciosa gargalhada matinal, quando li aquela manchete do Correio da Manhã : “Mais de 800 Padres já vacinados”.

Os gestores de opinião

Nas redes sociais devia ser criada a figura de «gestor de opinião». São tantos os que existem, que divertem e causam tédio. Estão sempre de lápis afiado. Principalmente quando são criticas ou comentários aos poderes instituidos. São uma espécie de «ratos de sacristia». Sim, as redes sociais são o espaço perfeito para a sobrevivência dessas figuras. Beatos. Censores. Tagarelas. Cassetes. Repetidores. Ecos. Voz do dono. Bobos da Corte. Engraxadores. Troca tintas. Puritanos. Servos.
Mas, digo-vos, o essencial é não lhes dar importância. Eles carecem de lixo para sobreviver, de conversas feitas na banalidade, nas narrativas de bons e maus. Se lhes retiramos o alimento ficam sufocados nos próprios arrotos.
Basta conhecê-los. Registar os seus nomes. E, depois, ignorar. Ignorar mesmo. Eles são tão pequeninos e pequeninas. Coitados. Dão pena.

Mas a vida é isto, em todos os tempos, em todas as épocas, existirão ratos de sacristia.
Hoje, nas redes sociais eles multiplicam-se e vestem diversas vestes. Uns são reais. Outros falsos. Outros, até, ditas figuras que se transformam em figurões. Esses, então, adoram ser protagonistas, discutem ou trocam textos, com uma superioridade bafiosa, arrogante.

Há aqueles que lançam o isco, para depois os servos utilizarem – uma espécie de manual - esses, são os «ratos finos», e esses, por serem especiais deviam ter direito a um «estatuto» - gestores de opinião. Uma espécie de controladores de ideias, que podiam usar cartões para assinalar – as verdades, as meias verdades, as verdades que hão-de ser verdade, as mentiras que passam por verdade. Enfim.
E adiante... «Não habia nexexidade».
Por hoje, fico por aqui...divirtam-se!

S.P.

Da ingratidão e da injustiça Obrigado Ana Porfirio! Um abraço a Emidio Xavier!

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Quero agradecer a Ana Porfirio por exemplo, o ter remodelado as instalações sanitárias da Escola do Ensino Básico nº 1 do Lavradio.

Uma coisa é o excesso de despesa, outra a bancarrota. Emidio Xavier não merece essa ingratidão.
 

Não sei porque razão, ou qual é causa, ou, talvez sei, qual é a razão e qual é a causa, mas, a certeza é que nem me apetece dar importância à razão, nem á causa. Naquele momento ao escutar aquela narrativa. Fiquei pasmado. Pensei. A ingratidão é uma marca de injustiça. Sei que estamos em ano de eleições. Sei que agora só gostam de olhar para o futuro. Acho muito bem.
Mas, na verdade, se só querem olhar para o futuro, porque desvirtuam tanto o passado. Nem percebo. Afinal o passado existe, ou não existe?

Obrigado Ana Porfirio!

E, por isso, só por isso, aqui fica, hoje, aqui e agora, o meu agradecimento público e o reconhecimento a Ana Porfirio, ex- presidente da União de Freguesias do Barreiro e Lavradio pelo positivo trabalho que no seu mandato foi realizado nas escolas do Ensino Básico do Lavradio.
Na vida, por várias vezes tenho sentido nos ossos e na pele o significado da palavra ingratidão, passo á frente, mas sei que a ingratidão é uma injustiça.
Quero agradecer a Ana Porfirio por exemplo, o ter remodelado as instalações sanitárias da Escola do Ensino Básico nº 1 do Lavradio, modernizando-as, dando-lhes qualidade e retirando aquela tristeza de sanitas de antes do 25 de Abril.
Quero agradecer a Ana Portirio ter construído aquele telheiro que liga, na mesma escola, os dois edificios, uma melhoria significativa que permite atravessar de uma lado, e, ter uma zona de abrigo do sol e chuva.
Quero agradecer os dois espaços de parque infantil, nas duas escolas no Lavradio (um com o apoio e dedicação dos pais e encarregados de educação).
É verdade, e, recordo que nem sequer um comunicado ou um panfleto foi feito a falar daquelas obras, significativas e que ficam, para sempre, como uma marca de uma gestão CDU, liderada por Ana Porfirio.
Este reconhecimento e agradecimento é justo e merecedor do meu aplauso. Escrevo aqui e agora, neste começo do ano 2021, porque, sei, sei muito bem o significado da palavra gratidão. Obrigado Ana Porfirio.
E, igualmente fica o registo por, no actual mandato, terem sido construídos os telheiros à entrada dos portões, pelo actual executivo, liderado por Gabriela Soares, do PS.
A vida autárquica é isto, sempre será isto, uns fazem uma obra, outras fazem outras obras, e, outros, no futuro, outras obras hão-de fazer, porque quando isso deixar de acontecer é porque atingimos o mundo perfeito e esse, bom, esse é só para os perfeitos.
Mas hoje, aqui e a gora, a razão desta nota é essa, apenas, essa dizer bem alto: Obrigado Ana Porfirio!

É injusto acusar Emidio Xavier de bancarrota

E, continuando, nestas coisas de achar que há ingratidão, igualmente, quero deixar aqui um abraço a Emidio Xavier, por considerar que é uma injustiça dizer que a sua gestão legou uma Câmara na bancarrota.
A Câmara Municipal do Barreiro sobreviveu ao longo de décadas com dificuldades financeiras. Sempre foi uma casa onde se contaram os tostões. Sempre foi uma casa que no principio de cada mandato recorria-se a um empréstimo de alguns milhões de escudos ou euros, para fazer face aos investimentos.
Sempre foi uma casa que viveu com orçamentos inflacionados, com receitas que eram meras previsões, só para dar espaço ao cabimento de despesas.
Era assim, porque, os governos, fosse qual fosse, não cumpriam, nem com a Lei de Finanças Locais, ou com as transferências compensatórias para os TCB.
E a autarquia sempre garantiu os serviços de transportes públicos, mesmo com dificuldades.
Uma coisa é o excesso de despesa, outra a bancarrota. Emidio Xavier não merece essa ingratidão.
Helder Madeira, Pedro Canário, Emidio Xavier, Carlos Humberto, viveram dias dolorosos na gestão autárquica, devido ao aperto financeiro. Só isso é merecedor de um aplauso.
É por isso que acho injusto isso da bancarrota, numa câmara que viveu sempre inflaccionada e de empréstimos bancários. Até ao ponto final do defict zero, e de gestão de custos – receitas/ despesas – que gerou dores de cabeça, estas na gestão de Carlos Humberto, que, por essa razão, foi obrigado a arrumar a casa, com os apoios do PAEL e com os apoios dados aos TCB – por um governo PSD.
Limpou a casa e deixou um legado financeiro, único, que, só por isso, merecia a gratidão.
É, por essa razão, que, aqui e agora, quero deixar um aplauso aos gestores do passado, por tudo o que fizeram, com dificuldades e muita dor de cabeça, permitindo que, nos dias de hoje, ao menos, não se viva em sobressalto.
E um abraço a Emidio Xavier.

Foi isto que me ocorreu escrever. É vida.
Sei que é ano de eleições, mas nunca é tarde para dizer Obrigado.
Para todos, mesmo para todos, ficam os votos de um Bom Ano 2021!
Divirtam-se! Sorriam!

António Sousa Pereira

Do marketing, dos desabafos e do tribalismo

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As palavras, os comportamentos, o fazer cidade, o viver, o sobreviver. O saber. O ser. O ter. A humildade. A superioridade. As diferenças. A democracia. Estas e outras mais, muitas palavras, me ocorrem neste final de 2020. E fico a pensar que, se há coisa que tem valor é a palavra pensada para fazer, essa, vale mais, muito mais, que a palavra dita para sobreviver. Marketing, desabafos, tribalismo...Feliz ano 2021!

 

Nestes dias que está a findar o ano 2020, não queria fechar a porta do ano velho, e, naturalmente, abrir a janela de 2021, sem um registo da «Rota 66».
Todos os dias tomo as minhas notas para a «Rota 66», depois ou por falta de tempo, ou outra qualquer razão, lá se foi o sentido e, ficam como meros registos, nos meus caderninhos de memórias. Porque a memória para mim conta, afinal é ela que dá sentido ao que fui, ao que fomos, e, nela encontro fluxos que me permitem pensar, não tendo medo do passado e olhando o futuro com esperança. Sorrindo.
Aqui fica a «Rota 66». A todos, sem excepção, os votos de um Bom Ano 2021.


O marketing pode ser pela positiva

Hoje, dia 30 de Dezembro, pela primeira vez na vida, recebi um contacto de uma entidade bancária, de um gestor de conta, não para me propor um seguro de saúde, ou um empréstimo, ou uma qualquer outra proposta financeira, mas para se apresentar e saudar-me.
Sim, fiquei admirado, o gestor de conta contactou-me para me perguntar se carecia de algum apoio, se precisava de alguma informação ou ajuda, se estava tudo bem, e, comunicando que estava sempre disponível para qualquer contacto e colaboração.
Disse-lhe não necessitar de nada. Desejou-me um bom ano novo e que estava sempre ao meu dispor.
Gostei. Pode ser uma mera operação de marketing, mas, sendo ou não sendo, faz parte de uma estratégia que pensa a relação entidade – cliente, visando estabelecer uma relação afectiva, cordial e de diálogo, de proximidade, entre o gestor de conta e o cliente, de forma simples e cordial. Foi um gesto que registei.
Fiquei a pensar que, na verdade o marketing pode ser mais que um negócio, e que numa relação negocial pode existir mais que o mero interesse económico e financeiro. Isto é dar sentido real ao juntos somos mais fortes e que nessa união construimos futuro.
Um exemplo que o marketing, sendo também, não é, só, um meio de venda de produtos, de conquista de votos, de gerar ilusões, o marketing pode ter uma acção positiva, e, neste caso contribui para estreitar laços de cooperação e de aproximação entre as instituições e as pessoas. Dar rostos. Ter rostos. Gostei.
E fiquei a pensar naqueles imbecis que enquanto não atingem os seus objectivos são cordiais, e, depois, noutro dia, que alcançam aquele sonho de realização circunstancial, aquela posição onde se imaginam ‘donos do mundo’, mudam o comportamento e demonstram como, afinal, a vida deles não é viver, é apenas gerir a sobrevivência. Esses usam o marketing de apanha de ameijoas.
Obrigado e Parabéns ao Bankinter, por me lembrar que o marketing também é, ou deve ser, acima de tudo educação e respeito pelas difrenças.

Os manipuladores de desabafos

Um dos meus rituais matinais é a compra do jornal. Vou à papelaria, leio os títulos diversos e trago a minha companhia diária, desde o primeiro número o jornal «Público». Um jornal que faz mexer os neurónios. Um jornal que ajuda a fazer exercício mental, antes da caminhada matinal.
Por ali, ao ler os títulos, por vezes há comentários, outras vezes cruzam-se as conversas. Hoje falava-se nas dificuldades dos tempos que vivemos, quanto doloroso foi este ano 2020.
“O 2020 foi viver um dia de cada vez, mas estou farta”, dizia uma pessoa.
E falava-se em desabafos. Comentei que os desabafos fazem bem, ajudam a aliviar os neurónios.
“Sabe um desabafo, é como abrir a válvula de uma panela de pressão, e deixar sair o que dói, o que está a apertar”, comentei.
A pessoa sorriu e disse – “Não é fácil. Mas eu gosto de desabafar!”.
Acrescentei : “Sabe, nisso dos desabafos o pior é quando aqueles que nos escutam, ou acrescentam coisas que não dissemos, ou inventam coisas para além do que dissemos, ou usam o que dissemos para nos manipular”.
A pessoa sorriu e disse: “Eu sei, eu sei...”
Sorrimos.

O Tribalismo. O maniqueismo.

Acompanho e leio com atenção os textos de José Miguel Tavares, jornalista do jornal «Público», ate já lhe enviei um e-mail, a saudar textos seus, não que me identifique com as suas posições ideológicas, mas sentir que os seus textos respiram o respeito pelas diferenças, num mundo cada vez mais intolerante, mesmo, por aqueles que usam como bandeiras palavras como «união», «tolerância», «respeito», depois, na prática cultivam o ódio, o rancor, sentindo-se que têm o cérebro cheio de ventosas centrípetas. Aquilo que se pode descobrir no mito do Narciso.
Ontem, José Miguel Tavares, escreveu um texto sobre tribalismo que aconselho a leitura. Um texto pedagógico, que pode ajudar aqueles que consideram que são a única verdade de todas as verdades. O tribalismo. O maniqueismo. Esses ismos sem ismo, que não se dizem ideológicos e que acusam os «muros ideológicos», que fazem parte de muitos ismos que dizem não ser ismos. Freud explica isso!
Aqui fica a introdução do referido texto:
«Em 2020 não tivemos só pandemia – tivemos também o regresso em força do tribalismo, de uma forma bem mais intensa do que nos anos da troika. Por tribalismo entendo não apenas o desejo de pertença a uma comunidade homogénea, que exclui todo o pensamento divergente, mas também a incapacidade (genuína) de compreender as razões dos outros, considerados – para utilizar a famosa expressão de Hillary Clinton – “deploráveis”.»

Bom ano 2021.
Como costumo dizer sorriam, nunca percam o sorriso, porque o sorriso dá vida ao rosto. E o nosso rosto é o espelho da nossa identidade, única.
Divirtam-se! Sorriam!

António Sousa Pereira

LER

https://www.rostos.pt/inicio2.asp?cronica=1004497&mostra=2

Digam lá que não há estratégia, digam lá...

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Na verdade confundir a existência de obra, com a existência de estratégia é de quem vê na estratégia um mero caderno de encargos.

 

Os troileiteiros

Os troileiteiros são os comentadores das redes sociais que se escondem no anonimato, por trás de perfis falsos, são criados para gerar correntes de opinião, ou forjar correntes de opinião. Alguns vão sendo conhecidos, até, pela pouca criatividade dos seus criadores – são João S.; João B. Ou Tranquedo João, mas, regra geral surgem associados à mesma tipologia de amigos, residemem em Cascais, ou em Lisboa, mas estão muito atentos à vida do Barreiro, muito particularamente á imprensa local e aos seus conteúdos, que criticam, adjectivam e caluniam.
Ah, é verdade, depois também existem uns seres humanos, reais, cultos, democratas, que, não são troileiteiros, esses são mais «provedores de opinião», fazem perguntas, lançam anátemas, tudo o que dsicordar das suas opiniões é lixo. Gente boa, fina, que falando em democracia e liberdade, apenas destilam ódio e intolerância, não sabem conviver com opiniões contrárias, são uma espécie de «nova élite bem pensante», que não percebenm que a liberdade deles começa onde começa a liberdade de outros, que não sabem respeitar, porque cultivam o pensmaent único e a verdade única.
Freud, explica isso!

O lixo na rua

Eram 11 horas da manhã. A senhora, uma jovem, talvez na ordem dos 40 anos, seguia de saco na mão, abriu a porta do carro, entrou, e, discretamente, num acto de quem não sabe, ou não quer respeitar o espaço comum, deixou do lado de fora, no passeio, o saco do lixo. Ligou o carro e lá foi, no passeio ficou o saco negro, que, não quis ir colocar nos contentores, ali, a cerca de 50 metros.
Foi tão rápido que fiquei a olhar o saco, com surpresa. Registo esta cena e recordei, fotos publicadas nas redes sociais, de sacos de lixo nas ruas, e, criticando-se a autarquia. Estávamos em vésperas de eleições e havia que se deliciasse a potenciar a divulgação desta fotos. A culpa era da Câmara.
Um dia em conversas, com alguém, recordei a que essa era uma forma muito negativa de fazer politica. Recordei que isso iria continuar, fosse quem fosse a liderar a autarquia, porque a ‘cultura’ vigente é, essa, que apenas tem por principio exigir do Poder Local, mas, na prática, demite-se de cumprir o minimo que é cumprir a responsablidade social, o dever de cada cidadão respeitar o que é de todos – o espaço comum. Recordei esses dias pré-eleitorais, esse tempo feiti de chico espertismo. É o que temos. É vida.

A obra e a estratégia

Uma das coisas que hoje registei, nessas tretas que fazem o quotidiano das redes sociais, onde muitos pensam que é o lugar de fazer politica, de criar ilusões, de gerir a vida pública.
Registei aqule discurso de obras. Um listagem enorme de ditas obras, essas que estão a mudar o Barreiro, as tais que pelo dito, são coisa nunca vista, porque durante quarenta anos ninguém fez obra neste concelho.
Até acho bem que se faça a listagem de obras, que se demonstre o que se faz, mau seria nada que nada fosse feito. Sim, notei que algumas coisas da listagem são obra, outras são mera intenção de obra. Umas de ontem. Outras de terceiros.
Li com atenção e verifiquei que, nada daquilo era coisa nova, quer no fazer, quer no projectar. Mas, enfim, isso é a politiquice, é a pré- campanha eleitoral. Tudo bem, são obras, senhor são obras, e, se são obras, divulgue-se ou anuncie-se. Isso é positivo.
O meu espanto foi o articulista ter uma confusão conceptual, afirmando que a existência de obras era uma prova da existência de estratégia. Que tem uma coisa a ver com a outra?, interroguei-me.
Na verdade confundir a existência de obra, com a existência de estratégia é de quem vê na estratégia um mero caderno de encargos.
A estratégia é pensamento politico, visão de futuro. A obra é realização de projectos, podem, ou não, inserir-se numa estratégia.
Basta só, observar no referido, a pavimentação de ruas. Se isto é estratégia, então, certamente, a varrição de ruas ser táctica. Coisas.
Digam lá que não há estratégia, digam lá...

S.P.

 

Da Covidocracia ao como «ganhar eleições»...

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Decorrem cerimónias de vida civica que ignoram a participação de eleitos que não integram a governança. Fala-se de listas de cidadãos, mas, é como sempre ou talvez não. As ruas da cidade com música...eleições a quanto obrigas.

Aqui há gato...

Pelas redes sociais soube-se que decorreu uma cerimónia de entrega de Medalhas de Distinção municipal ao Movimento Associativo, pelos vistos, a iniciativa não foi pública e nem sequer do conhecimento de todos os eleitos do executivo municipal.
Hoje no Barreiro, de facto, as coisas são um pouco assim, com as ditas restrições do COVID, as iniciativa são apenas destinadas ao envolvidos e aos eleitos da força politica local que lidera o municipio.
Bruno Vitorino, eleito pelo PSD, nas redes sociais pedia desculpa ao Movimento Associativo pela sua ausência na dita cerimónia, mas, tal devia-se ao facto de não ter conhecimento da sua realização. Soube pelas redes sociais.
Em suma já não vivemos em democracia, agora estamos na era da COVIDOCRACIA.
Aqui há gato...

Listas Independentes

Ma verdade, sempre que se aproximam os actos eleitorais autárquicos um dos temas que emerge é essa possibilidade de surgirem listas de independentes no concelho do Barreiro.
Mas, até hoje, qualquer iniciativa nesse sentido, mesmo que ténue, se esgota com a integração dos eventuais protagonistas nas listas dos partidos politicos. Foi o que aconteceu nas últimas eleições autárquicas com a dita «Plataforma 2830», que era um vazio politico, era apenas um chavão e um grupo de pressão, que acabou por diluir-se, integrar e liderar as listas protagonizadas pela Partido Socialista.
Um lista de cidadãos, de facto, nos temos de hoje, é, sem dúvida. mais fácil de se concretizar que no passado recente, quando a politica local era fruto de ideias e valores.
Hoje, nestes tempos de pragmatismo a politica local gira, regra geral, em torno de uma só ideia – “como ganhar as eleições”. No mundo empresarial e económico as empresas visam – “como ganhar dinheiro”. O mundo da politica hoje é “como ganhar eleições”.
Para isso existem agências de publicidade, que podem disponibilizar out door e equipas para gestão das redes sociais, assim como meios técnicos para produção de videos ou criações tridimensionais que proporcionem visões de futuro.
Isto, por vezes, falta aos partidos. Por isso, as listas de cidadãos podem nascer, mas, se for com esta filosofia de “como ganhar eleições”, que significa um pouco, vale tudo menos tirar olhos e desumanizar a vida das cidades, então pouco servirão para mudar o futuro.
Para isso, já basta assim...

Música nas ruas da cidade

Uma noite estas um camião, com luzes e som, encheu as ruas da cidade. Foi um iniciativa interessante. Foi uma iniciativa que envolveu artistas locais, gente que anima noites em colectividades e bares, algumas vozes do fado, que são muito bonitas. Gente que também sente dificuldades, nos tempos de hoje, devido ao COVID. Uma boa iniciativa de apoio a alguns que vivem desta actividade, longe dos grandes ecrans, mas que. Localmente, são cigarras que contribuem para matar a solidão. Uns gostaram. Outros não gostaram. Uns dizem pimpa. Outros aplaudiram. Foi acima de tudo uma iniciativa solidária com artistas locais, esses, muitas vezes ignorados, porque são o parente pobre. Alguns que conheço com vozes lindas.
Mas, o que achei arrepiante foi tal Ilha da Madeira, como fazia o Alberto, aquela presença a dançar, aquele ruído, que, afinal, demonstra que em torno de um evento engraçado, há sempre quem goste dar o ar da sua graça.
É o tal, o que conta é tudo fazer, porque, afinal, é preciso...ganhar eleições. E isso a tanto obrigas, não é Alberto.

S.P.

 

Das percepções e das lições de democracia

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Os conceitos não estão fora da vida. A vida faz-se no que fazemos e o que dizemos deve ter essa expressão no fazer. Mas, hoje, vive-se mais em torno de percepções, são elas afinal as portadoras das ditas lições de moral e democracia.
 

Festa do Avante...a politica e a percepção.

Nos últimos anos a palavra «percepção» tornou-se o que se pode definir como um «paradigma» do pensar e fazer politica.
A propósito da Festa do Avante e toda a polémica, que se tem gerado em torno da sua realização, o que não é nada de mal, porque a existência de opiniões diferentes sobre o evento é salutar.
No entanto, o mais preocupante é que a polémica veio marcada de uma feroz campanha de acção politica, que uniu os que gostam de potenciar a politica com base nas percepções, se essas percepções são o caminho útil para o combate ideológico puro e duro.

Foi isso que aconteceu em torno deste evento, percepções e mais percepções, que culminou com a entrada do Presidente da República, a colocar a cereja em cima do bolo, quando veio colocar a sua reflexão sobre a festa, que sobre isso, disse, não é um problema se está bem organizado ou mal organizado, mas, sim «é a percepção que a opinião pública tem em relação ao acontecimento».
Portanto, é isto, apenas isto, entrar na onda do fazer opinião, do cultivar opinião indo atrás da percepção, a opinião sobre a vida molda-se de acordo com a percepção. A avaliação politica faz-se com base na percepção. Não são os factos. Não é a forma. Não é a substância. É a percepção. É o adjectivo, porque, afinal, o adjectivo é aquilo que no essencial molda as ditas percepções. A percepção não é conceito, a percepção é emoção, e é a emoção de facto é a força que dá força e cultiva o populismo.

A lições de democracia e as lições de moral

Uma curiosidade que, regularmente, observo nos «confrontos politicos» que acontecem nas reuniões da Câmara Municipal do Barreiro, é verificar que quando o PSD toma posições, por vezes até agressivas e demolidoras, para o com governo PS, ou para a governança autárquica local liderada pelo PS, raramente recebe a resposta politica adequada.
O PS, como se diz na gíria, mete a viola no saco e opta por calar, ou, quanto muito torce o nariz para o lado. Admite que o PSD lhe salta a rolha para atacar o governo, e, isto é democracia que dá legitimidade politica de criticar. O PS torce o nariz, engole e cala.
Mas, quando se trata de ser a CDU criticar a gestão da governança autárquica liderada pelo PS, ou as politicas do governo. Neste caso o PS, ergue a voz, admoesta a CDU, e, é rara a vez que não sublinha que o PS não aceita lições de moral, ou lições de democracia da CDU.
Isto é uma constante. O PSD, portanto, pode dar lições de moral e democracia ao PS. Neste caso o PS come e cala.
Quanto à CDU se fala é criticista e leva nas orelhas. É isto a vida. É isto que faz nascer a tal cultura de percepções. Afinal, lições de moral e lições de democracia...só se recebem do PSD.

Marx, Engels, Lenine, PCP e Álvaro Cunhal

Escutei com atenção e curiosidade a intervenção de Jerónimo Sousa, no Comicio de Encerramento da Festa do Avante, porque considero que a visão e a análise politica do PCP, é importante para pensar Portugal e o tempo que vivemos.
Registei as duas medidas de exigência de nacionalização do «Novo Banco» e de trazer de novo os CTT para a gestão pública. Duas propostas que nos tempos de hoje, não podem ser avaliadas como se estivessemos no PREC, antes pelo contrário, os tempos de hoje, cada vez mais colocam como imperioso repensar a importância do Estado na regulação de serviços essenciais, no garantir o bem comum, e, tomar medidas estruturantes para a economia e para a coesão da comunidade. A forma como a Europa se posicionou, ou procurou posicionar-se, agora, perante a crise emergente da pandemia COVID, não é a mesma Europa das politicas asfixiantes da austeridade. Talvez, por isso, o PCP tem razão nas suas propostas.
Aliás, o PCP tem razão em diversas propostas que apresenta sobre a actividade laboral, as relações de trabalho, e, até sobre a perda de produtividade do país.
Na verdade, agir com politicas que defendem estas matérias são as respostas fundamentais para travar o crescente aumento da influência do populismo.
Mas, já agora, nesta intervenção de Jerónimo de Sousa, despertou-me muita atenção o facto de a expressão marxismo-leninismo ter estado ausente no discurso. Coisa rara em Festas do Avante.
Jerónimo Sousa, salientou que nesta fase de preparação do XXI Congresso do PCP, «a identidade comunista», e «a natureza de classe» da «ideologia» e «princípios de funcionamento» do PCP, são desenvolvidos, disse – “usando os instrumentos que Marx e Engels criaram, a experiência legada por Lenine e a elaboração colectiva do PCP com o singular contributo de Álvaro Cunhal”.
Esta é uma nota que registei, porque, é, sem dúvida, uma marca de um novo «pensamento politico», o qual equaciona o pensar a estratégia e a táctica do fazer politica, analisando a situação portuguesa e mundial, com base em instrumentos teóricos, politicos e filosóficos, com raíz na história e na memória...que vão para além do marxismo-leninismo, integrando o pensar o «aqui e agora», de forma dialéctica e histórica. Uma curiosidade.

António Sousa Pereira

Sente-se a cidade nas palavras que fazem pensamento de cidade

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Este tempo de pandemia altera os nosso hábitos, introduz novos comportamentos, obriga-nos a repensar os dias.

Uma coisa que, felizmente, não mudou foi o hábito de leitura de jornais. Esse encontro quotidiano com a a vida e com o mundo.

Esta semana marca o recomeço de actividade após este período de férias repartidas. Cá estamos de novo neste retorno às vivências quotidianas.

A semana passada o jornal «Expresso» na sua revista publicou um extenso trabalho sobre a vida e a agenda de Vhils, que recentemente realizou uma grande exposição individual nos Estados Unidos. Vhils, de seu nome Alexandre Farto, neste trabalho jornalístico do jornal «Expresso« recorda os dias que, na Margem Sul, nas ruas do Barreiro ou Seixal, começou a pintar os muros e as carruagens dos comboios, naquela escola de «cultura do graffiti», vivendo situações de tensões com a policia.
Nos dias de hoje, Vhils é um nome de referência internacional, sendo uma bandeira na divulgação da arte urbana.
Com ele, trabalham em permanência 43 colaboradores, 18 dos quais no Vhils Studio.
Recorde-se que Vhils tem, no Barreiro, no território da Baía do Tejo, o seu estúdio e um dos seus mais extensos murais.
Neste trabalho do jornal Expresso são recordadas palavras escritas por Vhils, numa crónica que publicou no jornal «Público».
“Sempre defendi que a cidade deverá ser também daqueles que a vivem. Não apenas daqueles que a pensam, planificam e gerem. Há que saber vivê-la no presente, com respeito pelo passado, mas com a ambição no futuro. A cidade não é um meio estático. Tal como um organismo, a cidade vive, transforma-se, adapta-se, regenera-se, reinventa-se. E, como tal, tem de saber aceitar as novas manifestações artistícas do seu tempo”.
Leio estas palavras e sinto, porque as palavras são para ler e sentir. Sente-se a cidade nas palavras que fazem pensamento de cidade. É isso.

O Barreiro, com o projecto «Art in Town», uma parceria ADAO/Núcleo de Arte Urbana com a Câmara Municipal do Barreiro, estava a criar um «portfólio» de obras de arte urbana que, pouco a pouco, ganhavam pelo seu conjunto referência nacional. ODEITH, Mar e Ricardo Manso ou Tota, são nomes que integram os projectos existentes no concelho do Barreiro. Vhils, veio acrescentar mais uma obra imponente que faz parte de um «Roteiro da «Art in town», que, certamente, podia ser um «nicho de turismo», de vivências culturais, e, promover no Barreiro projectos criativos inovadores, envolvendo gerações – a memória e o futuro.

Penso nisto e, com tristeza, registei que embora o Vhils tenha o seu estúdio no Barreiro, na peça do jornal «Expresso«, nem merece registo uma fotografia do mural do artista que existe, ali, na Alameda que liga o território da Baía do Tejo ao centro da cidade.

Volto ao texto de Vhils e penso, com os seus pensamentos, que uma cidade é um organismo vivo, que, “não é apenas daqueles que a pensam, planificam e gerem”.
Viver a cidade é pensar a cidade, porque a vida é para viver e pensar. É no pensar que começa a acção. E toda a acção é o reflexo de pensamentos.
Cá estamos de regresso de férias, para pensar, agir e fazer cidade.
Pois, cá estamos...

S.P.